A Motorola resolveu chutar o balde nessa temporada. Se você está acompanhando o mercado de smartphones, já deve ter notado que a briga no segmento intermediário premium está mais feroz do que nunca. De um lado, a empresa já havia cravado seu espaço com o robusto Motorola Edge 50 Pro. Do outro, acabou de soltar no mercado americano o Edge 2026, com o alvo colado nas costas do Pixel 10a. E para o Dia dos Pais deste ano, a estratégia da marca foi basicamente rasgar dinheiro para atrair o consumidor.
Vamos falar do lançamento mais quente primeiro. O Motorola Edge 2026 chegou às prateleiras cobrando US$ 599,99. Num primeiro olhar, ele toma um certo calor do rival do Google, que sai por US$ 499 na Amazon entregando a mesma configuração base de 8 GB de RAM e 128 GB de armazenamento não expansível. Mas a jogada de mestre está no combo promocional válido até as 23h59 (CST) do dia 21 de junho. Quem botar o Edge 2026 no carrinho leva um smartwatch Moto Watch, feito em parceria com a Polar, e os fones Moto Buds Loop na cor Trekking Green. Colocando na ponta do lápis, os fones custam 250 dólares e o relógio mais 150. É uma injeção de 399,98 dólares em mimos. Subtraindo isso do valor do celular, o aparelho acaba saindo praticamente por 200 dólares. E convenhamos, se você não for usar os acessórios, é só passar pra frente e recuperar boa parte da grana. Esse mesmo pacote bizarro de presentes também tá valendo para quem bancar o dobrável Razr Ultra 2026 (US$ 1.499,99) ou a versão de 256 GB do Moto G Stylus 2026 (US$ 599,99).
Mas o que o Edge 2026 entrega debaixo do capô para justificar o investimento? O hardware é no mínimo agressivo. A tela é uma AMOLED de 6.3 polegadas (resolução de 2640 x 1216) que bate os 120 Hz de taxa de atualização e alcança absurdos 5200 nits de pico de brilho. Tem suporte a HDR10+, vidro Gorilla Glass 7i e o display não surta se você tentar mexer com os dedos molhados, cortesia das robustas certificações IP68 e IP69 contra água e poeira. O cérebro do conjunto é o MediaTek Dimensity 7450 em dobradinha com memórias LPDDR5X velozes e o Android 16 já de fábrica. A bateria de 5000 mAh aguenta o tranco com recarga de 60W no cabo e 15W no pad wireless. Nas câmeras, o sensor principal é um Sony LYTIA 710 de 50 MP (f/1.8) com estabilização óptica, ladeado por uma ultrawide de 50 MP (f/2.0, 122º de campo de visão) e uma lente telefoto de 10 MP (f/2.0) com zoom óptico de 3x, também estabilizada. Na frente, a lente de selfies e chamadas de vídeo entrega os mesmos 50 MP. O conjunto ainda traz NFC, Wi-Fi 6E, som estéreo Dolby Atmos e suporte a dual SIM via nano SIM e eSIM.
Por outro lado, não dá para esquecer que esse lançamento divide espaço com um irmão de peso: o Motorola Edge 50 Pro. Lançado no segundo semestre de 2024, ele foca em uma experiência visual ainda mais fluida, trazendo um display P-OLED maior, de 6.7 polegadas, com taxa de atualização cravada em 144 Hz e resolução de 1200 x 2712 pixels, garantindo uma densidade impecável de 446 ppi, blindada por Gorilla Glass. Ele é um aparelho de presença, pesando 186 gramas em um corpo fino de 8.2 mm de espessura (161.2 x 72.4 mm), e assim como o irmão mais novo, também é resistente à água.
A arquitetura interna do Edge 50 Pro segue um caminho distinto, apostando as fichas no chipset de 64 bits Snapdragon 7 Gen 3 da Qualcomm (SM7550-AB) com a GPU Adreno 720. A CPU tem uma divisão de tarefas curiosa: um núcleo prime girando a 2.63 GHz (Cortex-A715), três núcleos de performance a 2.4 GHz e quatro núcleos focados em eficiência a 1.8 GHz (Cortex-A510). Tudo isso trabalhando em conjunto com 8 GB de RAM, 128 GB de memória máxima não expansível e a interface MyUX sobreposta ao Android 14.
A experiência multimídia desse aparelho é levada a sério. O módulo fotográfico traseiro aposta numa combinação de 50 MP, 13 MP e 10 MP (com aberturas f/1.4, f/2.2 e f/2.0), gerando imagens de até 8165 x 6124 pixels. A câmera tem flash Ring LED, foco por toque, autofoco dinâmico, detecção facial e estabilização óptica. A lente frontal (50 MP, f/1.9) é formidável. O legal é que tanto a câmera principal quanto a frontal gravam vídeos em 4K (2160p) a 30 fps, suportando captura de foto em vídeo, vídeo HDR, slow motion, áudio estéreo nativo e gravação dupla (Dual Rec).
E a conectividade dele é um canivete suíço. O suporte à rede 5G permite velocidades teóricas de download batendo a casa dos 5000 Mbps, contando com HSPA+, LTE e GSM Quad Band, operando em dual stand-by num nano chip. Ele vem com Bluetooth 5.4 de alta fidelidade (A2DP/LE/aptX HD), Wi-Fi Direct abrangente (802.11 a/b/g/n/ac/6e) e porta USB Type-C 3.1. O pacote de navegação e sensores também é cirúrgico: suporte a A-GPS, GLONASS, BeiDou, Galileo e QZSS, além de trazer NFC, acelerômetro, giroscópio, sensor de proximidade, bússola, leitor de impressão digital, motor de vibração, viva-voz e um excelente microfone com redução de ruído. Ele só dispensa firulas antigas como TV digital ou Rádio FM. Toda essa estrutura de hardware é alimentada por uma bateria de polímero de lítio (LiPo) de 4500 mAh.
A Motorola desenhou um tabuleiro bastante complexo para esse ano e o consumidor acaba levando a melhor. Seja escolhendo a fluidez de 144 Hz e a plataforma Snapdragon no Edge 50 Pro, ou caindo nas graças do brilho extremo, da resistência insana e dos brindes irresistíveis do Edge 2026 recém-chegado. A fabricante decidiu lotar a vitrine com opções robustas, e pelo visto, quem garante a melhor fatia desse bolo é quem estiver mais rápido no gatilho para aproveitar a promoção de lançamento.