As ações da Intel (INTC) registraram uma alta expressiva nesta terça-feira, impulsionadas por comentários favoráveis de analistas que começam a ver com outros olhos a estratégia de crescimento da fabricante de chips. No fechamento do pregão, os papéis da empresa subiram mais de 3%, chegando a ser negociados a US$ 48,53, após terem saltado quase 7% mais cedo. O movimento reflete uma mudança notável no sentimento do mercado: Wall Street, que antes decretava que a “Intel está morrendo”, agora parece adotar a narrativa de que a “Intel voltou”.
Essa renovação de confiança ocorre em um momento crítico, com a gigante dos semicondutores à beira de divulgar seus resultados do quarto trimestre, previstos para a próxima quinta-feira, 22 de janeiro. O otimismo recente empurrou as ações para uma máxima de dois anos, atingindo a marca de US$ 50 — uma recuperação surpreendente para uma empresa cujos papéis eram negociados a apenas US$ 17 em abril passado, o ponto mais baixo em mais de uma década.
A Visão dos Analistas e o Fator Inteligência Artificial
O catalisador para a alta desta terça-feira foi a nova classificação de compra emitida pelos analistas da Seaport Research Partners. A equipe de pesquisa prevê que o preço das ações pode subir mais de 33%, atingindo US$ 65 por ação. A tese da Seaport baseia-se na crença de que os novos processadores Panther Lake ajudarão a Intel a reconquistar fatia de mercado de seus rivais, tanto no segmento corporativo quanto no de consumo. Sondagens de mercado indicam que os fabricantes de PCs estão otimistas com o desempenho desses novos produtos.
Além disso, o analista Frank Lee, do HSBC, reforça o coro positivo. Ele projeta que as vendas relacionadas a servidores da Intel voltarão a crescer, alimentadas pelo iminente “boom” da inteligência artificial agêntica. A percepção é que a IA servirá como um motor de crescimento robusto, complementando a recuperação nos setores tradicionais da empresa.
Expectativas para o Balanço Trimestral
Apesar da euforia, os números frios ainda exigem cautela. Com base nas estimativas da Zacks, espera-se que as vendas do quarto trimestre da Intel tenham caído 6%, totalizando US$ 13,38 bilhões, contra US$ 14,26 bilhões no mesmo período do ano anterior. O lucro por ação (LPA) também deve recuar para US$ 0,08, comparado aos US$ 0,13 de um ano atrás. Contudo, o mercado tem relevado essas contrações previstas devido ao histórico recente da empresa em superar as expectativas.
Nos últimos quatro relatórios trimestrais, a Intel apresentou uma “surpresa” média de lucros impressionante de 577%. Em outubro, por exemplo, a empresa reportou um lucro por ação de US$ 0,23, esmagando as projeções de apenas US$ 0,01. Olhando para o futuro, após um prejuízo projetado de US$ 18,8 bilhões em 2024, espera-se que a Intel encerre o ano fiscal de 2025 voltando ao azul, com um lucro por ação de US$ 0,34, mesmo com uma leve projeção de queda de 1% nas vendas anuais.
Os Pilares da Recuperação Tecnológica
A narrativa de virada da Intel apoia-se fortemente em avanços tecnológicos tangíveis e investimentos estratégicos. A estabilização das finanças foi auxiliada por injeções de capital do governo dos EUA e parcerias com a SoftBank e até mesmo com sua rival de longa data, a Nvidia. Entretanto, o foco principal está no desenvolvimento de produtos e na capacidade de manufatura.
O lançamento da plataforma Panther Lake é tratado como o produto mais importante da companhia em anos, sinalizando o fim dos atrasos tecnológicos que assombraram a empresa. Essa arquitetura de próxima geração para PCs móveis, capaz de executar cargas complexas de IA diretamente no dispositivo, é construída sobre o processo 18A — o nó de fabricação mais avançado da Intel até hoje.
Progresso na Divisão de Fundição
O sucesso do processo 18A é central para a ambição da Intel de se tornar a segunda maior fundição de circuitos do mundo até 2030, competindo diretamente com a Taiwan Semiconductor (TSMC). A empresa informou que os rendimentos (yields) do 18A ultrapassaram 60%, um marco significativo para um nó de ponta. Esse progresso já atrai o interesse de clientes externos. Há relatos de que a Apple poderá utilizar a Intel Foundry para fabricar seus chips a partir de 2027, o que validaria definitivamente a estratégia de longo prazo da companhia.
Contrapontos ao Investimento
Apesar do rali e do entusiasmo institucional, nem todos os analistas estão convencidos de que é hora de comprar. A equipe do Motley Fool Stock Advisor, por exemplo, recentemente identificou suas 10 melhores ações para compra imediata e a Intel não estava na lista. Eles argumentam que, embora a recuperação seja notável, outras oportunidades no mercado podem oferecer retornos superiores nos próximos anos. Essa divergência de opiniões coloca o investidor diante da decisão de embarcar na recuperação da gigante dos chips ou aguardar resultados mais consistentes.