Por Fernanda Araujo/F5News

Num dia de mobilização nacional, servidores federais em Sergipe protestam contra o ajuste fiscal e projetos do Presidente Michel Temer sobre as reformas previdenciária e  trabalhista. Técnicos administrativos e professores da Universidade Federal de Sergipe, trabalhadores da Petrobras e outros servidores se mobilizam para preparar uma greve geral que pode acontecer ainda neste segundo semestre.

Nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira (29), os trabalhadores da UFS se concentraram em frente ao Campus em São Cristóvão e depois seguiram para o Instituto Federal de Sergipe (IFS), em Aracaju, onde se encontraram com os funcionários da Petrobras e realizam caminhada por diversos órgãos federais até o centro da cidade, em frente à filial do Ministério da Fazenda.

Os técnicos e professores da UFS alegam que o PLP 257/2016, que renegocia a dívida dos Estados com a União, em troca de cortes e investimentos no setor público, aprovado na Câmara e que agora tramita no Senado como PLC 54, é extremamente prejudicial aos trabalhadores, já que prevê congelamento salarial por dois anos, extinção de concurso público e demissão de trabalhador concursado.

A categoria também quer barrar a PEC 241, enviada ao Congresso pelo atual presidente Michel Temer, que muda a forma de investimentos dos Estados para a Saúde e Educação. Hoje, o Estado é obrigado a destinar percentuais fixos do que arrecada no ano para essas áreas, a proposta é que o investimento seja agora de acordo com a possibilidade de cada Estado, e não mais percentual fixo. “Ou seja, abre um precedente para que tenhamos nos próximos 20 anos uma redução paulatina dos recursos alocados nessas duas áreas. O Estado deixará de ser cidadão e passará a ser um estado fiscal, mais preocupado em fazer receita, acumular recursos através da tributação”, critica Lucas Gama, presidente do Sintufs.

Os servidores também não querem a reforma da previdência tal como está sendo sugerida pelo governo federal. Para eles não está sendo discutida a verdadeira causa do problema. “O problema é que o governo desvia recursos destinados à seguridade social da qual a previdência faz parte para poder pagar juros da dívida. Esses desvios de recursos acabam impactando na manutenção da previdência e levam de forma errônea a acreditar que a previdência está deficitária. E esses desvios tendem a ser maiores”, disse Gama.

E os petroleiros também se sentem prejudicados por outros projetos. Segundo Bruno Dantas, do Sindipetro AL/SE, deve ocorrer o congelamento por 20 anos do repasse de verbas, a ausência da Petrobras no Pré-Sal, e a privatização dos campos terrestres de petróleo de Sergipe. “As mudanças geraram milhares de demissões pelo chamado Plano de Demissão Voluntária, quase uma imposição. Com a falta de perspectiva de trabalho muitos estão se vendo obrigados a pedir demissão.

Mais de 12 mil petroleiros do Brasil pediram inscrição neste plano, então, a gente enxerga isso como um esvaziamento da empresa com o objetivo de privatizá-la, o que está acontecendo claramente aqui em Sergipe também”, analisa. A greve geral pode ter alcance ainda maior. A perspectiva é pela adesão de categorias também da iniciativa privada à greve da “resistência”

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