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PM se defende e diz que atirou após ver guardador de carros com faca em punho

Soldado Vera Cruz disse que o funcionário da OAB estava exaltado e ainda ameaçou guarnição

 Por Rafael Maynart | Portal Gazetaweb.com  

Militar se defende e diz que efetuou disparo por constatar perigo iminente

FOTO: CORTESIA

O soldado da Polícia Militar Vera Cruz, envolvido na confusão em frente ao Fórum de Maceió, compareceu voluntariamente na noite dessa segunda-feira (04) na Central de Flagrantes I, no bairro do Farol, para apresentar sua versão dos fatos. Ele se defendeu das acusações de abuso de autoridade e uso excessivo da força policial, além de relatar que o guardador de carros José Geovane, funcionário da Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas (OAB-AL), estava armado com uma faca.

O militar lotado no Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran) contou que estava aguardando um colega de guarnição sair do Fórum de Maceió e percebeu que alguns carros estavam estacionados obstruindo a passagem de pedestres na calçada do prédio.

Segundo ele, enquanto os militares notificavam os veículos, o guardador de carros José Geovane atravessou a rua e veio em direção aos militares de forma exaltada e  começou a discutir com um dos integrantes da guarnição.

“Que viu o referido indivíduo discutindo com o soldado Holanda; que não chegou a ouvir o teor da discussão, mas percebeu que o indivíduo estava bastante exaltado e tentou por duas vezes empurrar o soldado Holanda”, diz trecho do depoimento.

Ainda de acordo com o relato do militar, foi nesse momento que a discussão se “acalorou” e o soldado Holanda teria sacado a arma e ordenado que José Geovane colocasse as mãos na cabeça. Diante da negativa, os dois policiais tentaram imobilizar o funcionário da OAB. Ele disse que os militares foram agredidos neste instante.

Geovane conseguiu escapar e, ao correr, teria sacado uma faca. Foi nesse momento que o soldado Vera Cruz sacou a arma e acertou um disparo de arma de fogo na perna da vítima.

“Que foi quando o indivíduo deu um soco no rosto do declarante [sd Vera cruz] e saiu em fuga, sendo que nesse momento, o indivíduo colocou a mão na cintura e o declarante viu que ele estava puxando uma faca de cabo amarelo ou laranja; que, diante do perigo iminente, o declarante desferiu um disparo de arma de fogo na perna do indivíduo; que a faca foi tirada de perto dele, o mesmo foi imobilizado e feito o socorro necessário”, diz outro trecho do relato do militar.

O comando do BPTran divulgou que será aberto um processo administrativo para investigar a conduta do policial. Já a Comissão de Direitos Humanos da OAB, que acompanhou José Geovane no atendimento médico e na prestação de depoimento, questionou se havia a necessidade do disparo de arma de fogo e que, após analisar um vídeo divulgado nas redes sociais, disse que “muita coisa foi esclarecida”.

“Analisamos o vídeo e muita coisa foi esclarecida. Ele disse que o Geovane estava com uma arma, mas eu não vi essa faca. Realmente havia necessidade de desferir o disparo de arma de fogo? Será que houve excesso da polícia? São alguns questionamentos a serem feitos diante deste fato”, contou o presidente da comissão, o advogado Ricardo Moraes.

A assessoria da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e dos Bombeiros Militar (ACS-AL) divulgou uma nota repudiando as acusações contra o militar, destacando que é necessária uma apuração rigorosa antes de realizar qualquer acusação contra ele.

Confira:

A Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas (ACS/AL) vem através desta nota expor seu apoio aos policiais militares que, na tarde de ontem, (04) de junho, atenderam uma ocorrência no estacionamento do Fórum Estadual situado no Barro Duro, em Maceió-AL. A ocorrência envolvento os PMs está gerando comentários descabidos após a atuação policial, onde os agentes estavam atuando a favor do Estado.

Com todo respeito que a entidade tem pelos advogados que compõem a OAB/AL, a associação repudia as declarações principalmente no que diz respeito ao seguinte comentário: “os policiais são despreparados”. De forma surpreendente, ele veio de alguém que defende o contraditório e a ampla defesa. Diante disso, como poderia fazer um julgamento com base em imagens, apenas de parte da ocorrência?

No mais, a ACS/AL não defende os abusos por parte dos nossos policiais, no entanto não faz julgamento com base em mera especulação, e com certeza, o caso será apurado conforme a lei. Se houve abuso, os policiais serão punidos, mas o que se defende é uma apuração dentro dos trâmites legais.

Todavia, no caso em questão ficou clara a falta de respeito que alguns têm com o poder do Estado, ora representado pela Polícia Militar. É importante frisar que não cabe ao cidadão enfrentar a força pública de forma arbitrária. Se entendesse que o trabalho realizado pela guarnição era equivocado, não caberia desacatar a guarnição, pois é um absurdo entrar em vias de fatos com policiais devidamente fardados e em pleno exercício de sua atividade.

Portanto, como presidente da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas (ACS/AL), e em nome de toda diretoria  repudio qualquer comentário que incrimine sem a devida apuração do ocorrido. No mais ratifico que todos os atos devem ser devidamente apurados.

Att. Cabo Wellington – Presidente da ACS/AL

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