Poluição em SP (Zona Norte) - Ricardo Castro Santos via Flickr (CC BY-SA 2.0)

Em maio passado o Brasil viveu uma das maiores paralisações de caminhoneiros de que se tem notícia. Durante cerca de dez dias diversas estradas foram bloqueadas, cargas não foram entregues e municípios decretaram estado de calamidade pública.

Mas, em vez de apontarmos culpados e nos indignarmos com possíveis prejuízos pessoais, que tal procurarmos entender o que um evento como este pode nos trazer de ensinamento?

A matriz de transportes precisa ser revista

Nos últimos 40 anos, por conta dos altos custos de investimento em infraestrutura, o Brasil adotou a estratégia de transferir para os caminhões a responsabilidade pelo transporte de cargas, em detrimento ao uso de ferrovias. O efeito direto dessa decisão foi o aumento drástico da frota de caminhões e o sucateamento da rede ferroviária.

A despeito de fazer ou não sentido, o fato é que a greve dos caminhoneiros nos mostrou a necessidade de revisitarmos esse tema, reavaliando que rotas poderiam ser cobertas por ferrovias, reduzindo a dependência dos caminhões.

Outro ponto importante é que o volume de carga transportada por um trem é muito maior, além de contribuir para a redução da poluição atmosférica.

A poluição diminuiu muito

Com a greve, o transporte de combustíveis para os postos foi afetado, bem como o atendimento aos aeroportos. Isso causou um desabastecimento que fez com que muitas pessoas fossem obrigadas a deixar seus carros em casa. Aeroportos tiveram voos cancelados.

O resultado foi uma enorme queda na poluição atmosférica.

Particularmente na cidade de São Paulo, a redução de poluentes no ar foi superior a 50%, um fato inédito que vem sendo estudado pelos cientistas para trazer resultados consistentes para a saúde pública. A ideia é medir o impacto real da poluição nos moradores da capital paulista.

Sem carros a cidade não parou

Ao contrário da crença popular, deixar o carro em casa, evitar os enormes congestionamentos de véspera de feriado prolongado e otimizar o uso do veículo não fez a cidade parar.

Deixando de lado o desabastecimento dos supermercados e lojas, que foi terrível, é interessante levantar a questão de se repensar o uso do carro particular em uma cidade como São Paulo, por exemplo.

Nas grandes cidades europeias, além da boa malha de metrô, os cidadãos têm dado preferência para outros recursos, que incluem bicicletas, táxi, Uber e serviços descomplicados de locação de veículos por minuto por meio de aplicativos no celular. Tudo isso faz com que a quantidade de veículos próprios se reduza e o uso do carro seja otimizado.

No Brasil, a sociedade ainda está muito dependente do automóvel e não usá-lo no dia a dia soa como algo estranho, ainda mais em cidades grandes, como São Paulo, Rio de Janeiro ou Porto Alegre.

Mas o fato é que essa otimização forçada reduziu drasticamente os congestionamentos e a poluição atmosférica e forçou muita gente a pensar melhor antes de pegar o carro e sair dirigindo.

Estamos tão acostumados com a falsa impressão de conforto, que não avaliamos o tempo que ficamos sentados dentro do veículo apenas olhando pela janela.

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA