FOTO

Nova espécie de sapo é nomeada com homenagem a Pink Floyd

 Por Por Fellype Alberto, G1 Zona da Mata   

Pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa descobriram espécie que tem musculatura preta

Nova espécie de sapo, o Brachycephalus darkside, homenageia o Pink Floyd

FOTO: CARLA SILVA/ARQUIVO PESSOAL

Pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) descobriram, na Serra do Brigadeiro, na cidade de Ervália (MG) uma nova espécie de sapo, o Brachycephalus darkside. O nome faz homenagem ao álbum “The Darkside of the moon”, lançado em 1973, pela banda britânica de rock Pink Floyd.

De acordo com a pesquisadora Carla Silva Guimarães, o nome faz menção a uma característica que diferencia o sapo de outras espécies semelhantes, que é a musculatura preta, principal diferença em relação ao Brachycephalus ephippium, e que é base para a nova classificação e o inédito nome científico. A expressão inglesa Dark Side significa Lado Negro.

“Quando identificamos esta musculatura preta no sapo percebemos que se tratava de uma espécie diferente do sapinho pingo-de-ouro. Foi então que, juntamente com outros dois pesquisadores, começamos a pensar em um nome que fizesse referência a esta parte escura, característica que marca a nova espécie. Foi sugerido ?dark side? em referência à banda e aprovamos, já que além de fazer homenagem, ainda tem tudo a ver com a diferenciação do animal”, explicou a bióloga ao G1.

Sobre a homenagem ao Pink Floyd, a pesquisadora considera que eles conseguiram combinar a descoberta da nova espécie com algo que não fosse apenas ideológico, uma vez que a espécie tem mesmo um lado negro.

O tecido conjuntivo preto que cobre todos os músculos dorsais do sapo confere a ele um diferencial em relação a outros Brachycephalus, um gênero endêmico da Floresta Atlântica brasileira.

Se não fosse por essa descoberta que levou a outras, os pesquisadores continuariam considerando que a nova espécie, há algum tempo depositada no Museu de Zoologia João Moojen da UFV (MZUFV), se tratava do sapinho pingo-de-ouro, o Brachycephalus ephippium, já conhecido pela ciência. Esses sapos são considerados um dos menores vertebrados do mundo.

A identificação do Brachycephalus darkside foi resultado de uma pesquisa conduzida por Carla Silva Guimarães no mestrado que foi concluído em 2016, no Programa de Pós-Graduação em Biologia Animal na UFV, sob orientação do professor Renato Neves Feio.

Guimarães decidiu durante o estudo “resolver problemas taxonômicos de anfíbios da Serra do Brigadeiro que ainda não tinham uma identidade específica”. O “sapinho dourado”, que era um deles, acabou se tornando o protagonista da pesquisa pelas novidades que revelou.

Para a confirmação da nova espécie, foi preciso ainda realizar comparações com coleções científicas do país do Museu Nacional do Rio de Janeiro, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP).

O resultado de toda a pesquisa, que durou cerca de dois anos, foi apresentado em uma revista neozelandesa, no artigo The dark side of pumpkin toadlet: a new species of Brachycephalus (Anura: Brachycephalidae) from Serra do Brigadeiro, southeastern Brazil. Carla assina como primeira autora do trabalho, do qual também participam o professor Renato Neves Feio, o mestrando Pedro Carvalho Rocha e a graduanda Sofia Luz.

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA