Um boi morto a machadadas no matadouro público de Penedo chamou a atenção de membros da Fiscalização Preventiva Integrada (FIP), grupo formado por representantes de diversos órgãos que visita cidades alagoanas situadas na bacia do Rio São Francisco. O abate irregular flagrado nesta segunda-feira, 19, acontecia porque o equipamento – uma pistola pneumática – apropriado para o abate estava quebrado, um dos motivos da interdição do matadouro.

De acordo com os dados divulgados pelo Ministério Público Estadual, a equipe coordenada pelo promotor de justiça Alberto Fonseca também encontrou danificada a serra utilizada para esquartejar o animal. Sem o equipamento, magarefes – pessoal que ‘trata’ as peças de carne depois do abate – teriam que recorrer a outros instrumentos (não especificados na divulgação do MPE) para executar o serviço.

Ainda que a pistola pneumática e a serra automática estivessem em perfeito funcionamento, o abate do animal encontrado no matadouro não poderia ocorrer. Segundo o MPE, o bovino não possuía o certificado de classificação de sanidade, ou seja, era clandestino, sem qualquer garantia de qualidade atestada, conforme a legislação que prevê a interdição do local onde ocorrer o flagrante.

Além dessas irregularidades, o matadouro municipal não trata os dejetos do processo de limpeza dos ‘fatos’, como constatou a fiscalização. “A água utilizada para lavar os animais, o sangue e as fezes correm para um curso d’água que desemboca no rio São Francisco”, afirmou o promotor de justiça sobre mais um problema que poderia até não existir se o matadouro recebesse, pelo menos em parte, os recursos que gera.

Ausência de retorno

A ausência de retorno dos valores cobrados por abate de animal para a pasta responsável pelo matadouro de Penedo foi revelada pelo Secretário de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Agrário (SEMADA) durante exposição dos projetos da pasta na Câmara de Vereadores. Questionado sobre quanto o matadouro arrecada com o abate de bovinos, suínos e ovinos, o secretário Ricardo Góes Martins Araújo afirmou desconhecer valores porque o recolhimento é feito pelo setor de tributos da Secretaria Municipal de Finanças. Estima-se que, somente com bovinos, o valor semanal arrecadado alcance a média de quatro mil reais.

Sec de Agricultura na CMP - foto Cone Freire (8)

Ainda durante a mesma audiência, realizada na quinta-feira, 15 de maio, a hipótese de interdição do matadouro foi debatida. Sem dispor do local, marchantes e pecuaristas dificilmente irão transportar animais para abater em Igreja Nova, onde o matadouro segue as normas e tem selo de inspeção estadual, ou outra cidade por conta do aumento dos custos. Restará então manter o gado no pasto ou apelar para o abate clandestino, sem qualquer padrão de higiene e bem longe dos olhos do povo e da fiscalização.

Por Fernando Vinícius

Foto capa Divulgação MPE Alagoas

Foto texto Cone Freire/PMP

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA