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Fantástico revela detalhes de esquema que desviou milhões em Mata Grande

Corrupção envolveu ex-prefeito da cidade, Jacob Brandão, o irmão dele e ex-prefeito da Câmara, além do atual prefeito

 Por Gazetaweb, com Fantástico  

Fantástico mostra detalhes de rombo milionário em prefeitura

FOTO: BLOG ADALBERTO GOMES

O Fantástico mostrou, na noite desse domingo (7), detalhes do esquema criminoso que desviou milhões da Prefeitura de Mata Grande, município do Sertão alagoano. O esquema de corrupção envolveu o ex-prefeito Jacob Brandão (PP), o irmão dele e ex-presidente da câmara de vereadores Júlio Brandão (PP), e o atual prefeito Erivaldo Mandu (PP), causando um prejuízo de R$ 12 milhões aos cofres públicos.

A reportagem tem início relatando a vida de luxo do ex-presidente da Câmara de Vereadores da cidade. O repórter secreto foi até Mata Grande e constatou que Jacob e Júlio estão foragidos, mas, antes de fugirem, gravaram vídeos ostentando o dinheiro supostamente desviado dos cofres do Município. Enquanto isso, os estudantes da cidade vão à aula em caçambas de caminhonetes.

A história abrange empresa fantasma, “mensalinho” e cantor de sucesso, que acabou preso. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Estadual (MPE) em Alagoas estava investigando uma fraude no fornecimento de medicamentos. Mais de R$ 2 milhões de dinheiro público foram desviados por uma empresa fantasma que não forneceu remédio nenhum.

“A quantia era dividida entre o prefeito, o responsável pela empresa e alguns controladores intermediários. Em seguida, começamos a investigar o setor de transporte – locação de veículos e nos deparamos com uma fraude ainda maior, um desvio de seis milhões de reais, o que daria para comprar cento e trinta carros populares, quarenta vans escolares, resolvendo o problema do transporte de estudantes”, disse o promotor de Justiça do Gaeco, Carlos Correia Lima.

Em Mata Grande, estudante é tratado feito carga. “Há uns três anos, ando assim”, lamentou o aluno Felipe Gomes. Os alunos são transportados em caminhonetes e alguns chegam em pé. O repórter secreto bateu à porta da empresa e procurou o dono dela, mas nada feito.

Quando presidiu a Câmara de Mata Grande, Júlio Brandão agiu da mesma forma que o irmão prefeito, ou seja, contratou aluguel de carros, mas de outra empresa. “Uma quantia mensal de dezoito mil reais sem que nenhum carro fosse disponibilizado a vereadores. Essa quantia era repassada ao presidente da Câmara”, reforçou o promotor.

Em 2016, o vice de José Jacob se elegeu prefeito, Erivaldo Mandu. “Nós também descobrimos que a atual gestão também estava dando continuidade a esses atos ilícitos”, comentou o procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça.

Segundo as investigações, Mandu usava dinheiro público para dar um mensalinho a vereadores. Ele foi preso no final do ano passado e saiu três dias depois, ficando afastado do cargo até abril deste ano, quando retornou ao cargo por decisão da Justiça.

“O MP recorreu e não concorda que um agente público corrupto continue no comando de uma gestão”, assinalou Alfredo na reportagem.

Ao todo, o Gaeco prendeu 20 pessoas em Mata Grande, dentre elas, o cantor Max David, que é cunhado do ex-prefeito José Jacob. Na gestão do cunhado prefeito, Max cuidava dos shows contratados pela Prefeitura. “São contratos que estão sendo investigados e que há indícios claros de superfaturamento. Mas David está preso pela fraude nos transportes, porque seria beneficiário de quantias desviadas na locação de veículos”, expôs o promotor.

A reportagem também conta que a história tem o primo dos irmãos Brandão, Gabriel Brandão, que foi secretário da prefeitura na gestão de José Jacob e disse ao MP que retirava R$ 150 mil por mês dos cofres para os membros da família.

“Nosso município vive um caos da gestão do ex-prefeito Jacob Brandão”, frisou Rodolfo Izidoro (MDB), atual presidente da Câmara.

Enquanto isso, as investigações continuam. Em nota, os advogados de José Jacob e Júlio Brandão dizem que as acusações são inteiramente baseadas em delação premiada, “que não tem o compromisso de revelar a verdade e que ficará demonstrada a inocência dos acusados”.

O Fantástico não conseguiu contato do advogado do ex-secretário Henrique Lisboa, que também está foragido. Já o atual prefeito, Erivaldo Mandu, diz que vai provar, ao final do processo, a sua inocência. Por sua vez, os advogados de Max David afirmam que ele é um empresário e músico de berço, “vitimado à vala comum por ter prestado serviços a ente público, e que não se tem nada que justifique esta condenação antecipada”.

Por ser colaborador do Ministério Público, Gabriel Brandão não pôde falar com o Fantástico.

“Remédio, transporte escolar, merenda, as políticas públicas de saneamento e habitação e todas as outras que envolvem um mínimo de decência para a população foram esquecidos em prol do enriquecimento ilícito do gestor passado e que, infelizmente, estamos constatando essas práticas na atualidade também”, encerrou o procurador-geral de Justiça.

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