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Esquema em Canapi usava empresas sem conhecimento dos proprietários

Segundo PF, prefeito Genaldo Vieira desviou mais de R$ 8 milhões em apenas quatro dias

 Por Larissa Bastos e Marcelo Amorim   

Delegados detalharam funcionamento de esquema criminoso em Canapi

FOTO: DÁRCIO MONTEIRO

A Polícia Federal em Alagoas (PF/AL) revelou, em entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira (10), que a organização criminosa comandada por Genaldo Vieira, ex-prefeito de Canapi, se utilizava de empresas sem que elas soubessem do esquema. Os crimes foram cometidos na época em que o ex-gestor estava à frente do Município.

Segundo o delegado Milton Rodrigues Neves, uma peixaria de Maceió foi utilizada como se tivesse fornecido cestas basicas. O dono do empreendimento, que também é animador de festa, sequer sabia. “A gente desconfia que os serviços não foram feitos e que grande parte dos recursos voltou para o gestor”.

Deflagrada nesta quinta, a operação da PF é um desdobramento da operação Triângulo das Bermudas, que prendeu Celso Luiz Tenório Brandão. O objetivo era debelar a organização criminosa montada em Canapi. Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão, três ordens de sequestro.

Elas são relativas a veículos que teriam sido adquiridos com dinheiro público. Além disso, os investigados também foram notificados para que recolham fianças que variam de R$ 10 mil a R$ 100 mil – a polícia havia pedido a prisão deles, mas a Justiça negou e estabeleceu as fianças. Além de Capani, também há envolvidos de Delmiro Gouveia, Tanque D`Arca, Marechal Deodoro e Maceió.

As empresas investigadas são a Sonibras, Claudia Soares Pedrosa LTDA, JL de Macedo Neto LTDA e KAP Locações e Serviços. Na gestão pública, as fraudes agora apuradas envolvem o ex-prefeito, o ex-advogado dele e o ex-secretário municipal de Finanças e Empresários.

Segundo PF, prefeito utilizava empresas, que não prestavam serviços

FOTO: DÁRCIO MONTEIRO

No inquérito policial, são apuradas fraudes na prestação de serviços de limpeza de fossas, reparo de telhados, alimentos, fornecimento de cestas básicas, transporte escolar e recuperação de estradas vicinais. De acordo o delegado do caso, Antônio Carvalho, foram desviados R$ 8.625 milhões apenas entre 26 e 29 de dezembro de 2016.

As investigações apontam que o valor seria correspondente aos restante de precatorios do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef) que Celso Luiz não desviou de Canapi. A diferença é que Celso usava laranjas, enquanto Genaldo se utilizou de empresas para os serviços.

A Kap Locações, por exemplo, teria recebido R$ 4,2 milhões e, de acordo com o delegado, o proprietário sacou mais de R$ 3 milhões em dinheiro vivo. A Polícia Federal diz que os donos das empresas confirmaram não ter prestado serviços e repassado parte do dinheiro para o advgado do prefeito, que não teve a identidade revelada.

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