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Abalo sísmico registrado em Maceió foi o primeiro desde 1954, diz USP

Ano marca o início dos registros de tremores em Alagoas pelo Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo

 Por Gazetaweb, com Agência Tatu  

Ilustração traz as regiões com registro de tremor em Alagoas, segundo duas universidades

FOTO: REPRODUÇÃO

O tremor sentido em Maceió no último sábado (3) foi o primeiro abalo sísmico registrado na capital alagoana nos últimos sessenta anos. Um mapeamento realizado pela Agência Tatu reuniu dados das ocorrências em Alagoas contabilizadas pelo Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) e pelo Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB), de 1954 a março deste ano.

O levantamento mostra que, neste período, foram 41 registros de abalos sísmicos no território alagoano, em diversas regiões do estado, sendo os maiores deles, de 3,4 graus na escala Richter, nos municípios de Junqueiro (1972) e São Brás (2006).

Com 2,5 de magnitude, o tremor de terra que aconteceu em Maceió foi detectado pelo radar da UnB às 17h30, enquanto o centro da USP identificou um abalo de 2,4 graus, exatamente no mesmo horário, na cidade de Satuba.

Apesar das diferentes localidades, os registros correspondem ao mesmo evento. De acordo com a geóloga Rochana Andrade Lima, os abalos acontecem devido a processos estruturais ligados à geologia da área. “É como se fosse um dominó fora do lugar. Aconteceram esses abalos e, com isso, a estrutura de cima do solo colaptou, gerando, inclusive, as fissuras nas estruturas das casas”, explica a professora do Centro de Tecnologia (Ctec) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

Rochana esclarece que as características geológicas da região na qual Alagoas está inserida explica os tremores. “Estamos numa bacia sedimentar, então, o comportamento é diferente. Quando temos rocha sedimentar, temos variações. Ainda não havíamos sentido [os abalos] aqui em Maceió, mas isso não quer dizer que nunca tenha acontecido em intensidades menores”, destaca.

Para a especialista, mesmo tendo causado susto nos habitantes da capital, o tremor é considerado um “pequeno abalo” devido à sua magnitude, razão pela qual não deve ser chamado de terremoto, pois, este só é considerado quando atinge uma escala mais elevada.

Se comparado ao maior terremoto já registrado em local habitado do mundo, ocorrido no Chile, com 9,5 graus, o tremor sentido em Maceió teve força 10 milhões de vezes menor. Isso porque a escala Richter mede a energia liberada em terremotos em uma escala logarítmica, ou seja, em fatores de 10.

Já o coordenador da Defesa Civil de Maceió, Dinário Lemos, informa que o órgão é responsável por fazer os primeiros atendimentos quando acionado pela população, mas que a esfera nacional já foi contatada para investigar os abalos que aconteceram na capital alagoana.

“Nós estamos aguardando que os órgãos federais se pronunciem. Temos cobrado isso com frequência. Já buscamos contato até com técnicos do Serviço Geológico do Brasil, a CPRM, que é um órgão nacional que trata desta parte de solo e mineração. Eles ficaram de nos enviar os relatórios referentes à gravidade do que houve e à necessidade de deslocamento ou não de uma equipe para realizar mais estudos”.

Contudo, para a professora Rochana, é necessário que estudos sejam realizados para se afirmar com precisão as razões e riscos de novas ocorrências, sendo muito importante a parceria com a CPRM. “Não é um processo geológico novo, mas é novo numa área urbana que nunca havia sofrido nada. Então, apresentar algum parecer definitivo seria um ato inconsequente. São necessárias mais investigações para se chegar a um consenso”, reforça a especialista.

Agreste lidera em quantidade

Com o recorte do levantamento por região do estado, o Agreste aparece com o maior número de registros de abalos sísmicos, com um total de 18 casos. O município que faz com que a região se destaque no radar dos observatórios da USP e UNB é Limoeiro de Anadia, que contabilizou 11 das ocorrências, todas no ano de 2016. Apesar da quantidade chamar a atenção, os tremores no município não chegaram aos 2 graus.

A geóloga explica que esses fenômenos acontecem mais naquela região justamente pela presença de aspectos que facilitam a presença dos pequenos abalos. “Ali temos falhas tectônicas mais expostas na superfície. No caso, algumas falhas geológicas daquela região acontecem devido à presença de acomodações”.

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