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Ao L!, diretor do Grupo Globo revela diálogos com o Flamengo: ‘Nunca se desiste de um acordo’​

A torcida do Flamengo passa por uma situação atípica neste início de temporada. Os Garotos do Ninho estão em ação pelas primeiras rodadas da Taça Guanabara, porém sem a possibilidade de prestígio através das telinhas. Até o momento, o Rubro-Negro não entrou em acordo com Grupo Globo para o Campeonato Carioca e, segundo a emissora, as cifras pedidas pelo clube podem “explodir a conta”.
O LANCE! conversou com Fernando Manuel Pinto, diretor de direitos esportivos da Globo, para que o atual cenário em relação às negociações com o Flamengo seja esmiuçado. De acordo com ele, há conversas diárias pela convergência dos interesses e que, como os outros cariocas embolsariam uma quantia inferior se o Fla seguir sem assinar com a TV, “o modelo pode se transformar inviável”.

– Falo com o clube (Flamengo) todos os dias, com todos os clubes… Não, estou brincando (risos). Há diálogo com o Flamengo, e é positivo. Até por ser um tema em discussão e em desenvolvimento, acho pouco produtivo, aqui, avaliar quanto a reuniões, se tem tido, se vai ter ou se não vai. Temos que aguardar os posicionamentos. A cotação do dia é: não tem acordo – afirmou Fernando, antes de completar:

– Se você não consegue colocar isso num único bolo, para ter a dinâmica do critério comum a todos, que é, para um ganhar mais, o outro vai ganhar menos, essa conta não fecha, e esse modelo pode se transformar inviável – finalizou o executivo.

Na situação de momento, Botafogo, Fluminense e Vasco podem sair prejudicados financeiramente. O Fla entende que, por o novo contrato ter as mesmas condições do de 2016, “não levando em conta a nova fase do Flamengo e nenhum dos pontos sugeridos pelo clube para uma possível renovação” (leia a posição oficial na íntegra), não há razões para a assinatura.

Fernando Manuel Pinto ratifica que o objetivo da TV é não estimular “uma diferenciação de valores entre clubes”.

– A questão é como se chega a esse valor maior (pedido pelo Fla). Quando um clube não está numa coletividade, a dificuldade que se tem é aplicar coisas básicas da dinâmica de uma negociação do gênero. Para um ganhar mais, outros têm que ganhar menos. Do contrário, você explode a conta e gera, de antemão, não a posteriori, uma diferenciação de valores entre clubes – disse, deixando no ar:

– Nunca se desiste de um acordo.

Confira outras respostas do diretor da Globo com o tema Flamengo:

Há pressão dos patrocinadores da Globo por um acerto com o Flamengo?

– A Globo tem uma postura muito transparente com o mercado e os seus parceiros. Já lidamos com uma situação similar a esta no ano passado. Dentro do desenvolvimento dos negócios, digo que é algo dimensionado e endereçado às áreas devidas.

Nota da redação: o LANCE! tem a apuração de que há, sim, pressão de parceiros do Grupo Globo para um acerto com o Flamengo.

Como é para a Globo, no momento atual, discutir contratos com clubes com um poderio financeiro elevado? Ano passado foi o Palmeiras, no Brasileiro, agora o Flamengo, no Estadual…

– Eu lido com futebol há quatro anos, aqui. Antes disso, negociei com quase tudo menos futebol, com profissionais muito capacitados financeiramente. Jamais colocaria dificuldade em relação ao poderio financeiro desses dois clubes. Pelo contrário, isso é positivo. Ainda mais com uma mentalidade de construção que eu chamo de “ganha-ganha-ganha”, o objetivo de fazer negócios é: produzir efeitos para si, para o outro lado da mesa e para a indústria. Não vejo a dificuldade, a demora ou o tempo nas negociações relacionados à capacidade financeira de determinado clube. Enxergo (dificuldade) relacionada à transformação que a indústria, a Globo e o futebol passaram. Os itens são uma negociação de princípios. No caso do Brasileirão, fizemos uma mudança na forma de contratar. Migra de cheques individuais e diferenciados para um modelo inovador no Brasil, inspirado no mercado internacional, que atende aos anseios dos clubes e a um padrão coletivo, onde cada clube vai receber, na prática, de acordo com critérios que são comuns e envolvendo aspectos de meritocracia esportiva e/ou comercial.

O caso do Flamengo é uma situação similar. A Globo não tem qualquer crítica a um clube buscar ou ter recurso maior se a performance esportiva ou comercial levar a isso. Muito pelo contrário. A questão é como se chega a esse valor maior. Quando um clube não está numa coletividade, a dificuldade que se tem é aplicar coisas básicas da dinâmica de uma negociação do gênero. Para um ganhar mais, outros têm que ganhar menos. Do contrário, você explode a conta e gera, de antemão, não a posteriori, uma diferenciação de valores entre clubes. Então, não reconheço como uma dificuldade oriunda da capacidade financeira de um clube, mas de uma transformação de modelo e da dificuldade que seria da negociação individual quando outros clubes tem acordos coletivos e vigentes.

A Globo pode fazer um oferta para o Flamengo na reta final do Estadual?

– Nunca se desiste de um acordo. Tem que deixar, como eu disse, a porta aberta sempre, mas com muita responsabilidade, muito critério, sobre quais as possibilidades que temos sobre esse acordo. Não se administra um negócio como este sem padrão e sem ser muito responsável e atento aos critérios. E isso que temos feito neste momento.

A porta aberta é em relação a uma fase mais aguda do Estadual ou para as próximas edições?

– Impossível prever isso agora. Vamos ver qual é a dinâmica de todas essas tratativas.

Qual é o maior desafio nas tratativas individuais com o Flamengo?

– Acredito que a nossa relação com o futebol brasileiro de contratação (para o Brasileirão) precisava de um freio de arrumação. Conseguimos implementar um modelo novo, com esse viés coletivo, preocupação de equilíbrio, muita transparência entre os clubes, quanto aos critérios comuns, de quem vai ganhar ou menos… o próprio Flamengo elogiou o modelo que iniciou no último Brasileiro, assim como outros clubes. Temos tentado fazer o mesmo em outras competições, mas, às vezes, não é possível. Essa situação específica do Carioca revela um desafio de uma negociação de um produto que é essencialmente coletivo, mas que tem uma discussão isolada e individual. Reafirmo: não há discordância entre as partes (com o Flamengo), ambos querem o acordo e concordam com meritocracia: um clube ganhar mais ou menos de acordo com o resultado esportivo ou comercial. No Brasileiro, por exemplo, o Flamengo recebe mais por conta do lado comercial, por vender mais pay-per-view, e chamo isso de meritocracia.

Como se dá o rateio da Ferj como os clubes? Há uma cota fixa prevista para os outros clubes do Carioca?

– O nosso acordo preserva ou deixa para a parte vendedora como vai ser o rateio dos recursos. A pergunta seria melhor dirigida à federação. É do meu conhecimento que eles têm uma tratativa do formato com todos os clubes assinando, o que foi que aconteceu de 2017 a 2019, ou o que acontece quando um clube não assina.

A Globo pagará menos à Ferj no caso de o Flamengo seguir sem assinar?

– O nosso acordo prevê um desconto no contrato caso um clube não assine, lógico, pois o produto vem desfalcado. Isso acaba afetando também os jogos que determinado clube jogará com quem não assinou. Há, sim, um desconto, mas como ele afeta ou implica os clubes não faz parte da nossa gestão e, sim, da Ferj.

Quando a Globo busca direitos de transmissão, ela visa o campeonato, aquela coletividade. A maneira como os recursos serão divididos, na realidade, é algo menos importante para a gente. Acho importante e positivo que, para o produto, o futebol gere equilíbrio e meritocracia. Como a negociação do Brasileiro foi forçosamente individualizada, tivemos a oportunidade de implantar um modelo com as características já citadas.

Msn

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